Na auditoria da BRCGS Packaging Materials, a arte da embalagem é avaliada pela evidência. O auditor pede o procedimento de arte, a aprovação do cliente registrada, a prova de que o clichê é da versão aprovada, o destino das versões obsoletas, a aprovação da tiragem, a limpeza de linha e o teste de rastreabilidade. O checklist abaixo reúne esses pontos, cada um com a cláusula da Edição 7, a edição usada nas auditorias desde 28 de abril de 2025.
Este não é o checklist oficial. A BRCGS publica a sua própria lista de autoavaliação (P701A, em inglês, e P701C, em espanhol), que cobre a norma inteira. Aqui está só o que toca a arte, com a evidência que costuma resolver cada pergunta. Para entender a norma em si, leia antes o post sobre a norma BRCGS para embalagens.
Para quem é este checklist?
- Convertedora ou gráfica certificada, ou em certificação. A seção de arte (5.2) vale para quem cria ou controla o desenvolvimento da arte; a de impressão (5.3), para quem imprime ou decora. É o público principal, e a página de convertedores de embalagens mostra como a LinkFlow trabalha com ele.
- Dono de marca. Quem é auditado pela Packaging Materials é o seu fornecedor de embalagem. A aprovação que você dá à arte é a evidência que ele precisa guardar (5.2.2). Se a sua fábrica é de alimentos, a sua auditoria é a BRCGS Food Safety (Edição 9), que tem requisitos próprios de rotulagem e não entra neste checklist.
- Agência. Não é auditada por essa norma, mas os arquivos que entrega entram no controle de arte da convertedora.
Procedimento e responsabilidades
- ☐ Existe um procedimento escrito de gestão de arte que cobre o que o local faz: reunir as informações, receber os arquivos do cliente, conferir a arte pronta e obter a aprovação (5.2.1).
- ☐ O fluxograma do processo inclui a etapa de recebimento e aprovação da arte e da especificação (2.4.1).
- ☐ Quem confere arte tem as competências definidas e o treinamento registrado (6.1, requisito fundamental).
- ☐ Mudanças no procedimento são comunicadas a quem trabalha com ele (6.1.4).
Evidência que costuma resolver: o procedimento na versão em vigor, com data, e a lista de quem foi treinado nele.
Aprovação do cliente
- ☐ Cada arte final tem a aceitação formal do cliente, e o resultado está documentado (5.2.2).
- ☐ Dá para mostrar quem aprovou, quando e qual versão, num registro legível, autorizado e recuperável (3.3.1).
- ☐ Alegações específicas da embalagem, como cadeia de custódia, foram conferidas e aprovadas pelo cliente (5.2.1).
- ☐ A especificação do produto foi acordada formalmente com o cliente, ou há prova de que o acordo foi buscado (3.4.2, requisito fundamental).
Evidência que costuma resolver: a aprovação ligada ao arquivo da versão aprovada. Um “ok, pode seguir” num e-mail sem anexo, ou com o anexo errado, é a lacuna mais comum. O guia de aprovação de artes mostra como organizar quem confere o quê.
Versão certa até a máquina
- ☐ Clichês, telas, anilox, cilindros e blanquetas são conferidos contra a especificação e a versão da arte antes do uso (5.2.4).
- ☐ Cada ferramenta de impressão é rastreável até o original aprovado pelo cliente (5.2.4).
- ☐ Masters e padrões de cor ficam guardados de forma a não se degradarem, voltam ao lugar depois do uso e têm regra de renovação (5.2.5).
- ☐ Quando faz sentido, provas de impressão mostram que o padrão combinado é alcançado de forma constante (5.2.3).
- ☐ A iluminação da cabine de conferência de cor foi combinada com o cliente ou segue padrão do setor (5.3.7).
- ☐ Os procedimentos de inspeção e as amostras de referência no posto de trabalho estão na versão mais recente (5.6.5).
Evidência que costuma resolver: a ordem de gravação do clichê citando a versão da arte, e o registro da conferência antes da partida. O post sobre fechamento de arquivos para flexografia ajuda a evitar o erro na origem.
Mudanças e versões obsoletas
- ☐ Existe procedimento para alterar arte e especificação de impressão (5.2.6).
- ☐ Arte e material de impressão obsoletos são identificados e retirados de circulação (5.2.6).
- ☐ A lista de documentos controlados mostra a última versão, o motivo de cada mudança e como a substituição foi comunicada (3.2.1).
- ☐ Toda alteração num registro tem autorização e justificativa (3.3.2).
Evidência que costuma resolver: um controle de versões por SKU em que a versão vigente é uma só e as anteriores ficam marcadas como substituídas, com data e motivo.
Arquivos digitais
- ☐ Arquivos de arte e masters eletrônicos estão protegidos contra perda e intervenção maliciosa (5.2.7).
- ☐ Documentos e registros eletrônicos têm acesso controlado, controle de alterações e cópia de segurança (3.2.2).
- ☐ O prazo de guarda dos registros está definido pela vida útil do produto, pelo uso e pelas exigências do cliente e da lei (3.3.4).
As práticas do post sobre segurança na aprovação de artes respondem a boa parte disso.
Impressão e linha
- ☐ Há uma avaliação de riscos da pré-impressão, da impressão e do manuseio para dois perigos: perder informação essencial e misturar impressos. Os controles estão implantados (5.3.1).
- ☐ Cada tiragem é aprovada contra o padrão ou a amostra de referência, com registro (5.3.3).
- ☐ Um sistema detecta erros de impressão durante a tiragem e separa o que está errado (5.3.4).
- ☐ Na impressão composta, as variantes ficam segregadas (5.3.5).
- ☐ Sobras de impressos são contadas e descartadas ou guardadas identificadas (5.3.6).
- ☐ A limpeza de linha acontece na partida e em cada troca, sem material, produto, rótulos ou documentos da ordem anterior, com validação e liberação assinada (5.4.9).
- ☐ Os códigos aplicados, como o lote, são conferidos quanto à legibilidade e à exatidão (3.10.3).
Rastreabilidade e incidentes
- ☐ O teste de rastreabilidade acontece ao menos uma vez por ano, liga os documentos consultados e chega da matéria-prima ao cliente e de volta. A referência da norma é concluir em até 4 horas (3.10.4).
- ☐ O procedimento de incidentes e recolhimento é testado ao menos uma vez por ano, com o tempo de cada atividade registrado (3.14.5).
- ☐ Num incidente, dá para identificar qual versão da arte estava naquele lote.
Como fazer um teste de mesa antes da auditoria?
Escolha um lote entregue no mês passado e responda, cronometrando:
| Pergunta | Onde deveria estar a resposta | Cláusula |
|---|---|---|
| Qual versão da arte foi impressa nesse lote? | Ordem de produção ligada à versão | 3.10, 5.2.4 |
| Quem do cliente aprovou essa versão, e quando? | Registro de aprovação com data e arquivo | 5.2.2 |
| O clichê usado foi gravado a partir de qual arquivo? | Ordem de gravação e conferência antes do uso | 5.2.4 |
| A primeira folha foi aprovada contra qual padrão? | Registro de aprovação da tiragem | 5.3.3 |
| Onde está a versão anterior, e o que impediu o seu uso? | Controle de obsoletos | 5.2.6 |
| A linha foi liberada por quem, na troca de ordem? | Registro de limpeza de linha | 5.4.9 |
Se alguma resposta depende de procurar em caixas de e-mail ou de perguntar a uma pessoa específica, o controle é percebido, não comprovado. A auditoria avalia o que está registrado.
Quais lacunas aparecem mais?
Os números públicos da BRCGS sobre a Edição 7 são gerais, sem recorte por cláusula de arte. Em outubro de 2026, ela informou que as auditorias pela Edição 7 já levantaram e corrigiram mais de 25 mil oportunidades de melhoria. No segundo ano, as não conformidades críticas apareceram na implantação da análise de perigos e na eficácia das auditorias internas (BRCGS, 9/10/2026).
No setor de artes, o que a LinkFlow vê nas convertedoras e marcas com que trabalha se repete em quatro pontos:
- Versões convivendo sem controle. Várias “finais” na mesma pasta, e ninguém sabe qual foi para o clichê.
- Documento que não bate com a embalagem. A ficha técnica diz uma coisa, a arte aprovada outra, e a impressa uma terceira.
- Aprovação sem histórico. A arte foi aprovada, mas não há como mostrar por quem, quando e em qual versão.
- Processo informal. Decisões por telefone ou mensagem, que funcionam no dia a dia e não viram registro.
Onde a LinkFlow entra?
No registro. Cada embalagem é um SKU no portfólio, com as artes, os documentos e as versões. Cada pedido de criação ou alteração percorre um fluxo com responsáveis, e a aprovação fica registrada por setor, com data, notas na própria arte e comparação entre revisões. O que foi compartilhado com cada fornecedor também fica no histórico.
A Gualapack Brasil, convertedora de embalagens flexíveis, levou a aprovação de artes com os clientes de sete para três dias, segundo o case. Os registros do sistema serviram de evidência nas auditorias de revalidação da BRCGS e da ISO 9001 dela. A certificação é da empresa e depende do processo inteiro; a ferramenta ajuda a provar o que foi feito.
Perguntas frequentes
O auditor aceita aprovação por e-mail?
A norma pede que a aprovação do cliente seja formal e documentada (5.2.2), sem exigir um meio específico. Um e-mail serve se mostrar quem aprovou, quando e qual arquivo, se puder ser recuperado e se for guardado pelo prazo definido (3.3). O problema do e-mail é achar a aprovação certa meses depois.
Prova de impressão é obrigatória?
Só quando fizer sentido. A norma pede provas e testes “onde apropriado”, para validar que o padrão combinado é alcançado de forma constante (5.2.3). Vale registrar por que se decidiu fazer ou não.
Quanto tempo devo guardar as aprovações?
A norma não fixa um número. O local define o prazo pela vida útil do produto, pelo uso previsto e pelas exigências do cliente e da lei (3.3.4).
Com que frequência acontece a auditoria?
A cada 12 meses para as notas AA, A e B, e a cada 6 meses para C e D. Quem escolhe auditoria com data marcada passa por pelo menos uma sem aviso a cada três anos.
Onde está a explicação da norma?
No post sobre a norma BRCGS para embalagens: o que significa BRCGS, a diferença entre a norma de alimentos e a de embalagens, o que mudou na Edição 7 e a tabela das cláusulas.
Fontes consultadas
Todas conferidas em 12 de outubro de 2026, no site oficial da BRCGS.
- Global Standard Packaging Materials, Issue 7 (outubro de 2024): cláusulas 2.4.1, 3.2, 3.3, 3.4.2, 3.10, 3.14.5, 5.2, 5.3, 5.4.9, 5.6.5 e 6.1; data de início das auditorias; tabela de notas e frequência.
- Listas de autoavaliação da BRCGS (P701A, 28/10/2024).
- Celebrating 25 years of Packaging Materials (9/10/2026).
Este checklist é uma ferramenta de preparação. Ele não substitui o texto da norma nem a orientação da certificadora. Quer ver como fica o histórico de aprovação de artes por SKU? Fale com a LinkFlow.
Revisado em 12 de outubro de 2026 por Rodrigo Pereira.




